CRAVO RUBRO REVOLUÇÃO –

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CRAVO RUBRO REVOLUÇÃO –
Autor(a)
César de La Lama
Editora
Edições Sedmay
Género Literário
Desenvolvimento pessoal
Histórico
Não ficção
Outro
Sinopse

CRAVO RUBRO REVOLUÇÃO –

César de La Lama

Prólogo de Manuel Àznar (Embaixador de Espanha)

Tradução de Ana Margarida

História Viva – Edições Sedmay

Páginas: 233

Dimensões: 200x146 mm

Peso: 300

IS 1543325890

 

Exemplar em muito bom estado, sem marcas de manuseamento

 

PREÇO: 7.00€

Acresce portes de envio – Correio Editorial

 

 

 

 

PRÓLOGO

de Manuel Àznar (Embaixador de Espanha)

 

Que estas reflexões sirvam de introdução à grande reportagem que César de Ia Lama, meu companheiro de trabalhos jornalísticos, oferece ao público espanhol. Trata-se de um relato ardente, trepidante, com traços tão fortes que não há novela política mais cheia de emoção. César de la Lama expressa, neste livro, as suas fortes qualidades profissionais, dando-nos uma impressão inesquecível dos acontecimentos de Portugal.

 

O General Spínola é, segundo sabemos, uma das personalidades mais brilhantes e mais respeitadas do Exército português. E com fama, justamente ganha, de homem de inteligência muito clara e de vontade firme. Foram umas quantas páginas de um livro seu sobre o futuro de Portugal que desencadearam mudanças fundamentais na vida pública do seu país. Mudanças que se encontram ainda na sua fase inicial e cujas consequências não nos é possível prever. Tratar-se-á, simplesmente, de um regresso às instituições democráticas? Ou será mesmo uma profunda revolução?

 

Os que voltam de Lisboa trazem impressões e interpretações contraditórias. Para alguns, a vizinha República acaba de se lançar numa aventura de consequências imprevisíveis. Para outros, porém, há a sensação de que todos os grupos e partidos estão com o firme propósito de uma evolução ordenada e pacífica, com base na unidade nacional. A tal ponto que os próprios comunistas querem evitar, a todo o custo, as consequências de uma atitude extremista.

 

O general Spínola e os seus colaboradores da Junta de Salvação Nacional afirmaram o propósito de substituir os mecanismos da ditadura pelo sincero exercício duma vontade nacional, expressa livremente através das necessárias consultas eleitorais.

 

Sobre a sorte a que estarão sujeitos os planos do General Spínola, não parece muito licito, nem muito discreto, que nos entreguemos agora ao jogo dos vaticínios. A tarefa que a Junta de Salvação Nacional impôs a si própria é difícil. Mas, para a enfrentar, conta com a colaboração de personalidades e de núcleos sociais indiscutivelmente Importantes. Claro que não é minha intenção fazer uma análise dos assuntos internos de Portugal. Teremos ocasiões para isso, lá mais para a frente, quando todos pudermos dispor dos indispensáveis ele. mentos de juízo e chegarmos a um conhecimento concreto das novas realidades portuguesas. Hoje, limitar-me-ei a expressar os meus votos fervorosos para que o futuro surja do regaço das divindades numa onda de maior grandeza, progresso e bem-estar para a Nação vizinha e irmã.

 

Por outro lado e sem imodéstias, julgo-me em condições de examinar, sem rodeios nem esperas, determinados problemas externos que se hão-de apresentar ao General Spínola e que ele conhece perfeitamente. O primeiro, e principal, é o do vasto e rico Império ultramarino que durante séculos tem sido privilégio e orgulho de Portugal. Sim. Disso terão os portugueses que tratar: do seu autêntico Império e não de umas colónias de trazer por casa. Angola, Moçambique, Guiné, Cabinda, Macau, Timor, Açores, Madeira e Cabo Verde formam um Império nascido da extraordinária vontade de um povo eminentemente descobridor. Na lista referida faltam Goa, Damão e Diu que a India tomou para si mediante um golpe de mão ou assalto.

 

O General Spínola reconheceu a todos estes povos Açores e Madeira ficam fora de questão o direito de autodeterminação. Para quê dizer mais?

 

Em cumprimento das minhas obrigações oficiais, há uns anos, tive de seguir muito de perto a contenda política entre a ideia de um lusitanismo pluricontinental, mas único, soberano na sua essência, e a revolução descolonizadora que havia de engendrar novos Estados independentes. Já antes me tinha acontecido o mesmo com o problema argelino. Vivi na constante surpresa de verificar que entre a metrópole e os territórios portugueses em Africa não se abria uma saudável negociação. Ignoro quem teve a culpa. Mas, admitindo que o soubesse, estes momentos seriam de silêncio, porque não considero útil entrar, agora, na análise crítica do problema. Nem parece provável que todas as culpas sejam apontadas a um dos contendores, enquanto ao outro terão de ser atribuídas todas as virtudes. A verdade é que os movimentos representativos de um ideal de insurreição e as delegações de Lisboa nunca dialogaram a sério. Pelo menos, nunca se soube que dialogassem. Facto que considero sem explicação, tratando-se de um povo que, como o de Portugal, deixou gravado na História um exemplo vivo da capacidade de negociação e até de compromisso.

 

Creio que quando o General Spínola fala de uma «pátria pluricontinental soberana>> obedece a razões tácticas. Tal como fez De Gaulle, ante os partidários de uma «Argélia francesa» quando lhes disse, num célebre discurso: «Compreendo-os». E já estava a iniciar conversações com os partidários de uma «Argélia argelina». Suponho também que o projecto de uma «Federação de nações autónomas à sombra da bandeira portuguesa» pertence também a um reportório táctico. Porque o General sabe, sem lugar para dúvidas, que essa «Federação» não pode sobreviver, nem por milagre. Talvez nos princípios da década de sessenta tivesse sido possível experimentar-se uma fórmula federativa com certas probabilidades de êxito. Hoje parece-me um sonho. Chega tarde. Como fracassou, por extemporânea, a autonomia oferecida por Sagasta aos revoltosos cubanos em 1898. Os diversos «movimentos», ou frentes de libertação» que, há vários lustros, lutam contra o Império português não estão dispostos a ceder nem uma nesga das suas aspirações fundamentais. E muito menos agora que o Governo de Lisboa Ihes oferece a oportunidade de alcançarem todos os seus objectivos.

 

A verdade é que Portugal não lutou apenas com esses «movimentos>> e essas «frentes». Teve que lutar também com toda uma confederação de poderes internacionais que, longe de enfraquecerem, foram aumentando em força e solidariedade. Assim, o confronto entre as duas partes foi-se acentuando e caindo em enormes desproporções. De um lado, Portugal, sem outro apoio real e relativamente eficaz senão os da África do Sul e da Rodésia a que poderemos acrescentar a amistosa neutralidade abstencionista de cinco ou seis países membros das Nações Unidas. Do outro, o Continente Africano a cuja totalidade há apenas que tirar as duas excepções apontadas, o Continente Asiático, desde o Líbano ao Japão; o Continente Americano, desde o México à Argentina; a maioria dos Estados europeus e a Oceânia, sem excepções.

 

A luta, em toda a sua verdade, estava assim planeada. E tudo quanto tendia a interpretá-la doutra maneira foi um erro doloroso.

 

Houve momentos em que se especulou sobre a possibilidade de uma estreita aliança ofensiva e defensiva entre Portugal, a Africa do Sul e a Rodésia. E, pelos vistos, a operação era tão complexa que não sei sequer se foi tentada; em todo o caso, limitou-se a ficar no âmbito das quimeras.

 

Falou-se muito, em certas alturas, num movimento que havia de ter como protagonistas os chamados crioulos de Angola e de Moçambique. Seriam umas quantas dezenas de milhares de colonos não negros que, apoiando-se numa aberta participação militar das Forças Armadas sul-africanas e rodesianas, se levantariam para proclamar a independência das grandes províncias coloniais, dando lugar a situações semelhantes à que lan Smith produziu há uns anos atrás, ao rebelar-se contra a Grå-Bretanha. Penso que esta saída nunca poderia ser aceite pelo Estado Português em cuja doutrina não entra a discriminação racial. Os que imaginavam o levantamento crioulo apoiavam-se na imensa gravidade que revestirá para a África do Sul, com os seus <aparteides», a súbita aparição, nas suas fronteiras, de dois Estados negros, provavelmente do signo socialista africano.

 

Mas tudo isto não passou de conversa. Nem houve negociações entre Lisboa e os «Comités», nem aliança branca contra as subversões negras, nem, até hoje, a menor sombra de um levantamento crioulo.

 

Agora vem o General Spínola e toma sobre si o encargo de pôr fim à guerra colonial, ou de iniciar os trâmites da autodeterminação. Repito: tal como De Gaulle fez com a Argélia. E não há razões para pensar que o resultado final venha a ser muito diferente.

 

Muitos são os problemas que «o novo Estado» terá que enfrentar. Graves quase todos. Na minha opinião, nenhum com a gravidade de uma liquidação imperial. Através de uns tempos de muito infeliz memória, Portugal conservou o seu Império graças a um fabuloso desenvolvimento de forças morais e de heroicos sacrifícios militares e administrativos.

 

A mim, que segui tão de perto os trâmites da luta, nada me impressione tanto como a projecção dos acontecimentos de Lisboa sobre os horizontes da política africana e das realidades internacionais.

 

Se, nesta ordem de preocupações, Spínola consegue encontrar soluções dignas e práticas para o seu povo, passará à História de Portugal como um dos seus mais insígnes servidores.

 

Idioma
Português
Preço
7.00€
Estado do livro
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