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NUS E SUPLICANTES. Novelas. *** Urbano Tavares Rodrigues *** [Sem ind. de local]: Livraria Bertrand, [1960]. Colecção de Autores Portugueses. (19 x 12 cm.) com 147 + [5] pp. Capa flexível, com badanas. Exemplar razoável. Capa com marcas de manuseamento, algumas manchas de acidez,, pequenas perdas de cor em alguns pontos, vincos discretos e um pouco gasta nas margens e na lombada. Apesar de envelhecida e um pouco cansada, de um modo geral, está ainda bastante apresentável. Páginas globalmente bem conservadas e limpas, embora apresentem um tom amarelecido (um pouco mais forte nas margens) e algumas manchas de acidez (não muito frequentes nem muito importantes), tudo devido fundamentalmente à qualidade do papel. Tem, no entanto, uma assinatura de posse no rosto. Na primeira página tem colada uma pequena etiqueta de livraria. *** Primeira edição desta colectânea de cinco novelas, que viria a ser distinguida com o Prémio dos Leitores. Pela sua curiosidade torna-se interessante transcrever o relatório da censura, assinado pelo capitão José Brandão Pereira de Mello, a propósito desta obra: «Trata-se de uma colecção de contos (5 contos) o último dos quais dá o título ao livro. Será, portanto, classificável como “literatura de ficção” e como tal deve ser julgado. Mas mesmo assim sendo, se tivesse sido submetido a censura prévia, isto é: em original, julgo que seria de propor a supressão de vários palavrões, obscenidades, expressões escatológicas e realismos crús em que abunda. Além disso, acho que seria também de suprimir todo o 1.º conto “Crescei e multiplicai-vos” (pág. 9 a 32) e, pelo menos, as primeiras páginas do último conto “Nus e suplicantes” (pág. 95 e seguintes). O primeiro desenvolve um tema de incesto: dois irmãos que vão ter com um padre para que este os case, por... a rapariga estar grávida do irmão. E perante a recusa (natural, lógica e digna) do sacerdote, vem as recriminações contra a Sociedade e a Lei, numa revolta contra todas as injunções básicas e fundamentais de toda a nossa ética moral e social. Quanto ás páginas iniciais do último conto, parecem-me franco e solto hino de volúpia. Sabendo perfeitamente que o Olimpo crítico nacional está já a proclamar o Autor como um grandecissimo escritor e a sua obra como admirável, reservo-me o papel da criança do conto-fabular oriental, que exclamou, tão simples como sinceramente: “Mas o Rei vai nu”! Considerando estas circunstância apontadas e em presença do “facto consumado”, ou seja: de o livro estar já publicado e a correr não sei há quanto tempo, parece-me que se deve manter a mesma linha de pensamento e de acção, proibindo, portanto, um tal livro, em que, de resto, pouco há absolutamente são, dignamente humano e com altura espiritual, não passando quási todos os personagens apresentados de animais dominados pelo cio, pervertidos pelo cinismo ou envilecidos pela miséria que se estadeia.» (Índice na imagem 4). *** Portes: envio gratuito em correio normal (tarifa especial para livros) * envio em correio registado: 1,70