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Livro Branco no Preto - Memórias de um cardiologista
Autor: Marcos Zavra
Coleção:
ISBN: 9789898153050
Data de Lançamento: setembro de 2008
Páginas: 208
Idioma: Português
Estado: Bom
Editor: Imagens & Letras
Género Literário: Memórias e Testemunhos
Branco no Preto – Memórias de um Cardiologista é uma obra autobiográfica de Marcos Zavra (pseudónimo do médico Carlos Marzagão). O livro oferece um retrato histórico e clínico dos primeiros anos após a independência de Moçambique, em 1975, misturando a prática da medicina com as transformações políticas da época.
O Contexto Histórico e a Crise Médica
A narrativa começa no período que antecede a Revolução de 25 de Abril de 1974 em Portugal, enquanto o autor realizava a sua especialização em cardiologia na África do Sul. Ao regressar a Moçambique, depara-se com o processo de descolonização e a saída em massa dos quadros e médicos portugueses, o que deixou o sistema de saúde do jovem país à beira do colapso.
O autor assume um papel herculano ao tornar-se o único cardiologista num raio de centenas de quilómetros. Perante a escassez de recursos, Marzagão acumula funções de extrema responsabilidade, liderando a gestão hospitalar e dedicando-se à formação das novas gerações de médicos na Faculdade de Medicina de Maputo.
A Medicina de Bastidores e as Figuras de Estado
O grande diferencial da obra reside nos relatos íntimos e profissionais dos atendimentos a grandes líderes políticos africanos que moldaram a história da região:
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Samora Machel: O primeiro presidente de Moçambique independente. O autor descreve traços marcantes da sua personalidade, como o hábito de tratar toda a gente por "tu". Segundo o relato, Machel utilizava esta abordagem informal de forma estratégica para despir os interlocutores da dignidade ou importância dos seus cargos profissionais, deixando claro onde residia o verdadeiro poder político.
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Oliver Tambo: O emblemático presidente do Congresso Nacional Africano (ANC), que na altura se encontrava exilado em Moçambique devido ao regime do apartheid na África do Sul.
Impacto Social e Clínico
O livro aborda de forma direta o impacto das nacionalizações decretadas em 1976, que converteram consultórios privados, colégios e habitações em propriedades do Estado. A obra é uma memória viva sobre as dificuldades da cooperação médica internacional, as barreiras culturais e a transição biopolítica de um país que tentava construir o seu próprio rumo através da dor e da superação na saúde pública.