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"As Categorias da Cultura Medieval", do historiador russo Aron I. Gurevitch, é uma obra fundamental da Nova História. O autor analisa o imaginário e as mentalidades do homem medieval, investigando como categorias basilares como o tempo, o espaço, o trabalho, a riqueza e a justiça não eram absolutas, mas construções sociais e religiosas moldadas pela Igreja e pelo feudalismo.
Ao contrário da linearidade e homogeneidade do tempo moderno, o tempo medieval era cíclico e orientado pela teologia. Marcado pelo calendário litúrgico, celebrava a eternidade, a criação e o Juízo Final. O tempo era propriedade divina, não um recurso quantificável para comércio. O espaço não era neutro, geométrico ou homogéneo. Era profundamente hierarquizado e qualitativo, dividindo-se entre o sagrado (igrejas, altares, santuários) e o profano, o centro e a periferia, e os domínios terrestres vs. infernais e celestiais. O trabalho manual era inicialmente desvalorizado, ligado à herança bíblica do pecado original. No entanto, Gurevitch mapeia como essa visão evolui, integrando o labor nas categorias sociais, enquanto a riqueza possuía uma ambiguidade constante entre a condenação moral e a necessidade económica.
Estes conceitos estavam intimamente ligados ao direito consuetudinário (costumes) e à posição do indivíduo dentro da estrutura estamental, onde a servidão e a dependência pessoal eram a norma, e não a liberdade no sentido moderno.
Os críticos apontam que o livro é de grande valia não só para medievalistas, mas para antropólogos e estudiosos das ciências humanas, pois ensina a compreender a alteridade e como diferentes culturas moldam as suas categorias de percepção.
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