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"Carta sobre a Tolerância", de John Locke, é uma obra fundamental que defende a separação entre Igreja e Estado, argumentando que a função do governo é proteger bens civis (vida, liberdade, propriedade) e não salvar almas
Para Locke, a fé é uma convicção interior profunda. Ele argumenta que ninguém pode ser forçado a acreditar em algo por meio de tortura ou prisão; a força pode obrigar alguém a obedecer a rituais externos, mas não pode mudar o que a pessoa pensa ou sente no seu coração.
Locke baseia-se na ideia de que a razão humana é limitada e que ninguém possui o monopólio da verdade absoluta sobre o caminho correcto para a salvação. Por isso, o magistrado civil não tem autoridade para impor uma religião específica, pois ele é tão passível de erro quanto qualquer outro. Apesar de ser um defensor da liberdade, Locke estabelece excepções à tolerância quando a segurança do Estado está em risco.
A obra é frequentemente elogiada por ser atemporal. Os seus argumentos serviram de base para a laicidade do Estado moderno e influenciaram directamente a redacção de documentos como a Declaração de Independência dos Estados Unidos
Escrita no exílio, a obra responde a perseguições religiosas e ao absolutismo, tornando-se uma base do liberalismo e da democracia moderna.
Livro em muito bom estado
Prefácio de Raymond Klibansky
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