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Em “Bambino a Roma”, lemos um jovem Chico Buarque que perambula pela cidade que o desafia, e, ao mesmo tempo, o encanta, de modo que, a cada página, memória e imaginação se tornam um grande rizoma. Engana-se quem acha que a infância se distancia de nós à medida em que amadurecemos. Na verdade, penso que quanto mais os anos correm, mais ela se impõe à nossa frente. Há muitos jeitos disso acontecer, mas, para quem escreve, a infância se estabelece através da linguagem. Não à toa, no romance “Bambino a Roma” (Companhia das Letras, 2024), Chico Buarque se debruça sobre seus anos na Itália, quando seu pai é convidado a lecionar na Universidade de Roma., in O Odisseu
Bambino a Roma, de Chico Buarque, é uma autoficção memorialística que revisita os dois anos (1953-1955) em que o autor, então com nove anos, viveu na capital italiana acompanhando o pai, o historiador Sérgio Buarque de Holanda, que lecionava na universidade local. O livro mistura recordação e invenção para mapear a infância e a formação do artista.
O livro é marcado pelo encanto com a prosa fluida do autor.
O olhar do "bambino" sobre as descobertas da época, as dinâmicas familiares e as ruas de Roma diverte e comove, mantendo a assinatura poética já conhecida do compositor brasileiro.
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