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Edição Companhia das Letras de 1997
Nesta Verdade tropical, o centro da atenção de Caetano Veloso é o tropicalismo - seus pontos de partida afetivos e intelectuais; seus protagonistas; o modo como foi percebido por uma geração que cantava música popular apaixonadamente, como quem toma partido; as visões do Brasil delineadas a partir dele; as formas que encontrou de se desdobrar ao longo do tempo.
Mas Caetano fala diretamente de si mesmo, transformando a relação com a música num roteiro de sua vida pessoal. Assim, no capitulo "Narciso em férias", ele relembra os dois meses em que ficou preso, na passagem de 68 para 69.
Caetano estende uma linha cronológica a partir da infância e da adolescência em Santo Amaro, e, embora se concentrando no período que vai até meados da década de 70, chega até o momento em que terminou de escrever este livro, em julho de 97.
De um extremo ao outro os temas se multiplicam: as relações familiares; a ditadura, o exílio em Londres; leituras decisivas e preferências literárias; o sexo, a experiência com as drogas: Gil, Bethânia e Gal; João Gilberto e a bossa nova: rock'n'roll e samba; Chico Buarque; Glauber, Cinema Novo e amor ao cinema; projetos estéticos das décadas de 60 e 70; os festivais e os programas de auditório, a velha Record; o teatro de Zé Celso e o de Boal; o diálogo com os concretistas; a contracultura de Zé Agrippino; Beatles e Mutantes; Rio, São Paulo e Salvador, etc.
Sem ser uma autobiografia, Verdade tropical é Caetano Veloso por ele mesmo. Pode ser a MPB por ela mesma ou nossos trópicos por um tropicalista, por um brasileiro músico, por um compositor brasileiro que aqui faz do tempo a torre mais alta do seu observatório. É a primeira vez que ele usa longamente a escrita.