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Edição Serralves de 2004
Edição bilingue português/inglês
A publicação documenta a produção da artista entre 1969 e os nossos dias e acompanha a apresentação no Porto de instalações especificas que anunciam a sua prática de conceber projectos a partir de colecções de artefactos culturais de diversas origens.
A obra de Susan Hiller é uma obra seminal para a arte contemporânea actual, sendo possível detectar a sua influência em sucessivas gerações de artistas, tanto na Grã-Bretanha como fora dela. Hiller rompe com a academização das linguagens conceptuais na década de 70, utilizando algumas das suas possibilidades expressivas tais como o recurso ao filme ou à documentação fotográfica, assim como a manifestação de uma sensível atitude crítica perante o contexto ideológico do seu tempo.
Nessa medida, a apresentação da obra de Hiller em Serralves possibilita a continuidade de uma releitura de uma época e de um contexto artístico que abriram novas perspectivas de redefinição do lugar da arte em relação à vida. Por outro lado, Susan Hiller inova e surpreende no modo como assume uma distanciação relativamente a suportes tradicionais como a pintura - sendo disso exemplo as suas telas recortadas ou incineradas, num exemplo da radicalidade com que assume as possibilidades conceptuais da destruição em arte - ou no modo como explora a instalação vídeo, a edição do som e da imagem nas suas obras, num desafio permanente à percepção e à inteligência do espectador.
Susan Hiller utiliza as possibilidades da criação artística para uma constante redefinição de uma antropologia do sujeito através da pesquisa sobre as suas condições de percepção e de memória, nas quais evidencia a sua subjectividade num confronto entre a identidade e a ficção, entre a realidade e a representação.
Assuntos menos convencionais, tais como os fenómenos extra-sensoriais ou as relações entre a ficção e a categorização das emoções com que o cinema, a literatura e a psicanálise assumem o inexplicável, estruturam uma obra onde as fronteiras entre o sensível e o inteligível são permanentemente interrogadas.