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Edição Angelus Novus de 2003
Tradução de Maria Antónia Amarante
Poesia Lírica e Sociedade (1957) é um ensaio exemplar do procedimento crítico adorniano. Contrariando a resistência aparente da poesia ao social, Adorno desloca a vinculação material do poema, a sua «participação na generalidade das coisas», para o plano da experiência individual. Na sua leitura, a poesia pode assim configurar uma sintomatologia histórica sem ceder à demonstração superficial de uma tese.
«Fiel à sua estética negativa, Adorno aplica-se a mostrar como o poema lírico refuta um papel funcional dentro da sociedade. E, para isso, faz uso da sua requintada bateria de conceitos, que muito deve ao historicismo dialéctico hegeliano, graças ao qual a sua teoria especulativa se protege contra toda a ilação imediata.
Aí temos, assim, uma «mediação» do «processo global» que interpõe os seus bons ofícios entre o fenómeno artístico e o todo social, de modo a evitar que a análise das relações entre poesia e sociedade seja feita com base em determinações materialistas imediatas, próprias de um marxismo vulgar.»
António Guerreiro