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Edição &etc de 2006
Tradução de Célia Henriques
Última das dez novelas redigidas em 1888 sob encomenda («com fins alimentares» - A.S.) do editor Albert Bonnier, O Sacristão Romântico de Rånö singulariza-se das demais a ponto de Strindberg considerá-la como «o que escrevi de melhor». Concorde-se ou não (para Luiz Pacheco, por exemplo, «o Autor tem sempre razão»), certo é que nesta novela já se deixam espelhar todas as reflexões/inquietações subliminares que hão-de deflagrar oito anos depois, em delírio e exacerbação mística, na crise de Inferno: o devir sinuoso da condição humana, a essência da arte, o elo transcendental, a dialéctica entre real e imaginário.
Destes temas matriciais exceptua-se apenas a «questão feminina», ou, melhor dizendo, a «questão do feminismo»- - que o editor, aliás, proibira, recusando a Strindberg, no acto da encomenda, qualquer texto que tivesse «por assunto a sua pessoa, as dos seus amigos ou inimigos, ou que aborde a questão feminina», precauções de gato escaldado face à manifesta misoginia (ou tão-só ao rancor votado às feministas adoradoras de Ibsen...) do genial e genicoso sueco. O que fica, porém, é o quase-tudo mais do puro esplendor.