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Edição Relógio d’Água de 1995
Tradução de Nilson Moulin Louzada e Manuel Alberto
Do séc. XIV ao séc. XVII, os homens e as mulheres acusados de feitiçaria afirmaram ter participado do Sabat, onde, de noite e na presença do diabo, se entregavam a festins, orgias e à profanação dos rituais cristãos.
De onde vem, afinal, o Sabat? Terão os acusados confessado, muitas vezes sob tortura, o que os juízes deles esperavam?
Segundo Carlo Ginzburg, as coisas nem sempre se passaram assim. Nalguns casos, a diferença entre as perguntas dos juízes e as respostas dos acusados deixava entrever elementos ligados a uma cultura mais profunda.
Partindo daí, Ginzburg procurou recompor as peças dispersas de uma História Nocturna, abordando movimentos contra os leprosos, judeus, heréticos e feiticeiros.
Isso levou-o a investigar uma antiga cultura de fundo xamânico e a desembocar na identificação de formas da experiência de morte e do além com as estruturas narrativas.