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As peripécias vividas pelo soldado Chveik, enredado nas aventuras e desventuras do seu regimento de infantaria em combate na Primeira Guerra Mundial, servem como pano de fundo à obra‑prima de Jaroslav Hasek, publicada originalmente em 1923. O tom satírico, aliado a um uso desenvolto e subversivo da língua – recorrendo a expressões obscenas, ao calão e a jogos linguísticos de sentido múltiplo –, são os instrumentos de Hasek para evidenciar o absurdo da guerra.
Romance picaresco por excelência, O Valente Soldado Chveik parodia, por um lado, a figura literária do herói e a austeridade burguesa da literatura oitocentista, e, por outro, a glorificação do nacionalismo e dos ideais militares. Chveik, o perfeito anti‑herói, guarda na memória um tesouro infindável de mirabolantes histórias que viu, viveu ou ouviu contar. Tragédias tão cómicas quanto terríveis, episódios burlescos de faca e alguidar, miséria, horror e violência, ao lado dos prazeres da vida e do encontro da consolação. Talvez seja a descrição da natureza humana o que faz deste livro um clássico da literatura universal. Jaroslav Hasek trata os grandes temas da – amizade, religião, morte – com a leviandade de que só os grandes escritores são capazes, porque domina magistralmente o artifício do humor. Assim se explica que o soldado Chveik, na sua costumeira ligeireza, evoque Shakespeare sem que nada se perca pelo caminho: «Como está a ver, senhor, há coisas entre o céu e a terra que nem nos passam pela cabeça.»
Edição sem data