As Espantosas Aventuras de Kavalier & Clay

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As Espantosas Aventuras de Kavalier & Clay
Autor(a)
Michael Chabon
Editora
Gradiva
Género Literário
Romance
Sinopse

Vencedor do prémio Pulitzer de 2001, AS ESPANTOSAS AVENTURAS DE KAVALIER & CLAY é uma das melhores publicações deste ano no campo da ficção.
Se há um ambiente em que este livro possa ser inserido, ele é, antes de mais nada, o da Banda Desenhada. E se há verbo que melhor simbolize esse mundo, e o da literatura em geral, esse verbo é “escapar”. Escapar da realidade, escapar da monotonia, escapar de um mundo agreste, seja ele o dos fantasmas interiores ou de uma guerra criminosa que nos quer dizimar.
A depressão económica que atingiu os EUA na década de 30 do século XX produziu um dos maiores fenómenos de escapismo levado aos limites da imaginação: o império dos super-heróis das revistas aos quadradinhos, com as suas capacidades supra-humanas e fantásticas. Crescendo no limiar deste fenómeno e consciente do seu potencial, Sammy Clay sente(-se) um projecto artístico à espera de uma oportunidade para escapar a uma existência marcada pela mediocridade e pelo abandono.
A chegada de Joe Kavalier, seu primo de Praga, que conseguiu escapar às garras nazis num esforço que une magia e desespero, permite aos dois jovens embarcar num projecto que vai revolucionar a imaginação da juventude americana – a criação de um super-herói cuja proeza é a capacidade de escapar a todas as amarras, com o objectivo declarado de libertar os oprimidos deste mundo.
Joe é o artista de facto – nas suas mãos há o poder objectivo de dar vida às ideias de Sammy, e há também a memória treinada de uma aprendizagem factual da magia – ainda em Praga, e em dias mais felizes, este judeu aprendeu com um dos maiores mágicos do mundo a arte do escapismo (isto é, de se libertar de correntes, cadeados e algemas em quaisquer condições). O “Escapista” é, então, mais do que um truque comercial – é uma sublimação de desejos e traumas, e também a única forma que Joe tem de participar no combate contra Hitler, numa altura em que a América hesita em entrar na Segunda Guerra Mundial. Daí o conteúdo violento e politizado deste sucesso de vendas: o inimigo é claramente o nazismo (que, décadas mais tarde, se transformará, obviamente, no diabo vermelho dos comunistas).
No meio disto tudo há uma élite cultural americana na qual os primos se vão inserindo a custo, e que lhes permite conviver com nomes tão gigantes como os de Salvador Dali e Orson Wells. É também neste mundo que ambos os jovens descobrem o caracter aparentemente libertador das relações afectivas, que mais tarde se transformam em amarras das quais se libertam por erro, medo, ou raiva – para Joe, o amor de Rosa Sacks, e para Sammy a descoberta da homossexualidade.
A corrente que mantém Joe ligado ao mundo cru da guerra e da culpa é a família, que sofre a ignomínia da ocupação nazi. Quando tudo corre mal e a realidade se impõe gélida e factual a Joe, a história dá uma volta cruel. Que larga os seus heróis num mundo de vazio e fuga sem objectivos libertadores ou criativos. Um mundo de vazio convencional para Sammy, e de experiências-limite em torno da fuga para Joe: “Joe tinha conseguido libertar-se de cordas, correntes, caixas, sacos, caixões, algemas e grilhões; tinha escapado de países e regimes, dos braços da mulher que o amava, de aviões despenhados, de uma dependência de opiácios e de todo um continente gelado determinado a matá-lo. Em sua opinião, escapar à realidade – especialmente depois da guerra – era um desafio digno.”
Quando Joe faz as pazes com a fuga, alaga de criatividade o que fora o vazio de Sammy, e encontra-se numa simbiose artística entre a banda-desenhada e judaísmo, que finalmente dá sentido à sua vida. E dá também a Sammy a oportunidade de escapar ao vazio e à cobardia, partindo rumo à espantosa aventura de se descobrir – fugindo, porque não há, afinal, capacidade mais digna de um super-herói...
E porque este brilhante livro nos ensina que todos os desenhos e sonhos se fazem de palavras, e que o génio se define pela cooperação, não é de estranhar que AS ESPANTOSAS AVENTURAS DE KAVALIER E CLAY, obra de ficção histórica brilhante na escrita e na técnica narrativa, seja um grande hino à Banda Desenhada. E uma excelente reflexão em torno de algumas das dialécticas mais fascinantes do século XX – cultura popular vs. cultura erudita, guerra vs. pacifismo, liberdade vs. responsabilidade e, sobretudo, imagem vs. palavra. Por tudo isto, este romance de Michael Chabon é afinal um hino à literatura, em toda a sua pluralidade.
 

Idioma
Português
Preço
11.50€
Estado do livro
Bom
Portes Incluídos
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