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Edição Tinta da China de 2017
Tradução do polaco de Marco Bruno revista por Jorge Sousa Braga, prefácio de Adam
Edição bilingue português/polaco
’Porque é que os sonhos pequenos se dissipam ao chegar o dia / enquanto os grandes continuam a crescer?’, pergunta Adam Zagajewski. E havemos de ficar com a ideia de que os ‘sonhos pequenos’, mais humanos, são talvez preferíveis aos grandes, tantas vezes atrozes.
Poeta polaco, durante muitos anos exilado, tão ‘esmagado pela fatalidade’ e embebido nas convulsões da História como os seus compatriotas Milosz ou Herbert, Zagajewski começou por escrever poesia comprometida, oposicionista, mas foi evoluindo para uma atitude meditativa, irónico‑metafísica, atenta a pequenas epifanias e aporias.
A memória individual ou colectiva, a natureza e a música, matérias líricas, coexistem com aparições espectrais de personagens da história intelectual (Heraclito, Pascal, Goethe) ou da política europeia (Danton, Napoleão, Beria), gente que interpelou o sentido da História e o sentido das coisas, e que descobriu que as ‘obras do pensamento humano soçobram’.
Poeta lúdico e grave, espiritual e céptico, legível e enigmático, Adam Zagajewski é um ‘místico da imaginação liberal’, como lhe chama, no prefácio a esta edição, o crítico Adam Kirsch.»
— Pedro Mexia