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Edição Prelo de 1979
Livro que, em 1964, levou o autor a um longo interrogatório na PIDE, sob alegação que "desvirtua algumas das páginas mais brilhantes da nossa História, adulterando sacrilegamente os factos e classificando de 'abutres' homens que foram heróis e foram santos"
O “crime” de Borges Coelho foi oferecer uma leitura das viagens e conquistas ultramarinas que contrariava a visão oficial e exaltada do regime. Ao evidenciar que as motivações económicas e políticas se sobrepunham ao ideal de evangelização e à retórica da fé, a obra desmontava um dos mitos centrais da narrativa imperial portuguesa.
"Castela ainda ficara com a coutada do reino de Granada para o saque e a pilhagem. Os portugueses, esses, tinham de ir assaltar as terras de além-mar e depressa enquanto os poderosos vizinhos se entretinham a mastigar aquele saboroso bocado peninsular. Depois seria mais difícil e, mesmo agora, não deixarão de invocar na Cúria Pontifícia o seu direito à conquista de Belamarim. E eis que, anos depois da vitória de Aljubarrota, uma armada de 200 velas aporta de surpresa à velha cidade mourisca, sangrando lhe completamente a riqueza."