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Edição Campo das Letras de 1998
Antologia, tradução e notas de Arnaldo Saraiva
Numa síntese necessariamente lacunar, poder-se-ia dizer que os poemas (sempre sem título) de Roberto Juarroz são sucessivos voos rasantes ou mergulhos arriscados (a pique) sobre os enigmas, os limites e as contradições da condição e da comunicação humana, são formulações concretas, axiomáticas e paradoxais de surpresas ou sobressaltos metafísicos, são reflexões sobre a experiência de ser ou estar no mundo, no que tem de permanente e de mutável, são condensadas variantes e variações de discursos morais e sapienciais, relacionáveis com os Koan, os aforismos gregos ou as anedotas zen, e são iluminações poéticas, que põem em causa os maniqueísmos que comandam os comportamentos comuns e subvertem os valores estereotipados tanto das práticas sociais como das palavras e das representações simbólicas.
Mau grado o seu aparente discursivismo, os poemas de Roberto Juarroz valem como cristalizações (disse Octavio Paz) que nos fazem ver, verticalmente, torres e poços, o que há de mais elevado e de mais profundo no real e na criação poética