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São palavras dele, e algumas lapidares, no dia 16 de Agosto em Almada:
Isto não é um trabalho literário. Toda a gente sabe que eu não sou um literato, nem interessa que haja aqui literatos. O que interessa é que haja homens transparentes que digam a verdade ao povo na linguagem que ele entende.
Não tem preocupações de estilo, e nem sequer de exposição ordenada, já que, na maior parte das vezes, ou não escreve os discursos, ou, quando os escreve, acaba por não os ler, ou por os entremear de reflexões e reparos adrede ocorridos, o que frequentemente origina desvios, retornos e repetições.
Depois a sua sinceridade — a sinceridade que resulta de tudo o que Vasco Gonçalves diz, e com tanta força que não podem ficar dúvidas a quem o ouve sem preconceito, quer concorde ou discorde, de que de facto ele é sincero. Aos que têm o culto da franqueza, como eu, é este aspecto da personalidade de Vasco Gonçalves, tão pouco vulgar no mundo da política, o que logo mais impressiona. É um aspecto, aliás, que se compagina com a sua ideia de que «política e moral são inseparáveis».