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«Em compensação, Mike Bongiorno demonstra uma admiração sincera e primitiva pelos que sabem. Quanto a estes, o que realça neles é, porém, as qualidades de aplicação manual, a memória, a metodologia mais óbvia e elementar: uma pessoa torna-se culta lendo muitos livros e fixando o que eles dizem. Não o aflora, nem minimamente, a suspeita de qualquer função crítica e criativa da cultura. Tem dela um critério meramente quantitativo. Deste modo (acontecendo que é preciso, para se ser culto, terem-se lido durante muitos anos muitos livros), é natural que o homem não predestinado renuncie a todas as tentativas culturais. Mike Bongiorno professa um apreço e uma confiança ilimitados em relação ao especialista; um professor é um sábio; representa a cultura autorizada. É o técnico do ramo. É a ele que deve mos perguntar as coisas, dada a sua competência. A admiração pela cultura, todavia, torna-se ainda maior quando, na base dela, se pode ganhar dinheiro. Então é que se descobre que a cultura serve para alguma coisa. O homem medíocre recusa-se a aprender, mas propõe-se mandar estudar o filho.»