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No rescaldo da humilhação causada pela derrocada de França e pela
Ocupação, após os dias de ódio e azedume entre aqueles que escolheram
seguir o marechal Pétain no caminho do colaboracionismo e aqueles
determinados em resistir, por entre as ruínas e a miséria de 1945, Paris
renasce. Consegue impor a sua superioridade cultural e transforma-se na
capital intelectual do mundo.
É também nesta época que nasce a relação amor-ódio com os Estados
Unidos. Ninguém ama o seu libertador, mas em França as emoções
foram particularmente complexas. Em especial, a juventude adorava
tudo o que era americano, pois representava a liberdade após a
Ocupação e o estupidificante regime do velho marechal. Mas, dentro em
pouco, quer os intelectuais de esquerda quer os tradicionalistas de direita
começaram a recear e a ressentir-se da cultura potencialmente
dominante dos Estados Unidos.
Paris Após a Libertação apresenta-nos todos os aspectos da vida da época
- diplomacia, estratégia, racionamento, política e politiquice, teatro
internacional e invasão turística, Blitzkrieg e Ritzkrieg - e cria uma
tapeçaria fascinante, tecida de factos e personalidades. Aqui todos os
mundos são explorados, de prédios, bordéis e fábricas, jazz de garagem e
estúdios, a salões, tribunais e aos vetustos castelos da vieille France. Numa
narrativa rica, multifacetada, seleccionada em documentos oficiais,
arquivos particulares, memórias e histórias, com um toque maravilhoso
de luminosidade, os acontecimentos mais complexos tornam-se claros.