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Travancor, Costa do Malabar, 1900. Uma rapariga de doze anos tenta dormir nos braços da mãe. Amanhã deixará a casa onde cresceu para casar com o homem a quem foi prometida. O homem que será o seu marido, o novo senhor da sua vida, é trinta anos mais velho, viúvo, com um filho ainda criança. A jovem noiva vai ao encontro do seu futuro tal como foi decidido por outros, tal como a sua mãe e a mãe da sua mãe o fizeram antes dela.
«O pior dia da vida de uma rapariga é o dia do casamento. Depois, se Deus quiser, as coisas melhoram», dizem-lhe. O viúvo é um bom partido, pois, tal como ela, faz parte da antiquíssima comunidade de cristãos, mas é difícil entender a razão pela qual aceitou uma esposa sem dote, apesar dos rumores que correm de que a sua família é afetada por uma estranha aflição: em cada geração, pelo menos uma pessoa morre afogada