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Ano: 1988
Sinopse: Um novo título para o enriquecimento de uma coleção que tem revelado autores indiscutivelmente significativos. Neste caso, trata-se de um livro de Ângela Caires, um nome que é conveniente fixar. Daqui em diante só há dragões é um texto vigoroso, rápido, poético, dramático e humorístico. E apresenta uma coloquialidade quase surpreendente.
Para dar uma ideia da agilidade desta prosa, aqui fica um pequeno exemplo — uma breve descrição tirada ao acaso do texto corrido e envolvente que é a marca da autora:
«Olímpio mudou-se logo e não tardou a ter saudades dos bêbados conflituosos e desenraizados de Wandsworth. Vivia na mesma melancolia parda, com a diferença de que, a meio da noite, acordava com gritos, um vulto desconhecido empurrava-o no corredor estreito, cruzava-se com alguém dentro da casa de banho. Portas batiam subitamente e de modo inexplicável. Uma vez deu de caras com cinco ou seis criaturas que nunca tinha visto, e não as voltara a ver. Essas pessoas que se atravessavam nas noites de Kilburn eram geralmente jovens, e até amáveis, traziam por vezes latas de cerveja que punham a aquecer sobre a chapa do fogão, e dividiam os charros. Algumas pediam uma seringa emprestada, mas faziam-no gentilmente, sem pressões nem descargas.»
É assim, com esta simplicidade, que a autora aflora o drama, a perplexidade e a angústia.